Estou morando a alguns meses em Nova York e apesar de estar trabalhando completamente fora da minha área de formação, fico sempre com o canto de olho ligado no que acontece em relação a design, publicidade, cinema e animação (areas pelas quais ainda nutro muito interesse). Aliás, mesmo que eu não queira prestar atenção, a cidade sempre dá um jeito de escancarar alguma coisa na minha cara. Seja um painel audiovisual com 40 metros de altura na Times Square ou no sistema de televisão interno acoplado aos taxis. A cidade é o centro mundial de entretenimento e isso transpira nas ruas, nas fachadas dos prédios, nos metros e até nos parques. Sem questionamento, ela tem o mérito de saber explorar cada uma de suas esquinas e marquises com as mais criativas mídias.

E é isso que mais me chama atenção neste cenário de comunicação visual: a variedade, a criatividade e (claro) a condição financeira e tecnológica de conceber de novas mídias. Essa nova geração de produtores, designers e artistas tem encontrado formas inovadores de expor suas produções.

Um ótimo exemplo disso é a ação promovida para o departamento de turismo da Holanda nos metrôs de Nova York. Durante todo o mês de fevereiro, cinco vagões da linha S foram completamente adesivados, tanto dentro quanto fora do carros, com a temática do país contratante. Cada um do vagões recebia uma abordagem diferente, tratando desde design e arte holandeses até atrações naturais. Os mídias dessa ação merecem os devidos créditos ao escolherem os metrôs da linha S, uma vez que esta liga a Grand Central com a Times Square, dois grandes pontos que atraem milhares de turistas de todo o mundo.

Já em relação a qualidade do que é reproduzido nessas mídias, o Brasil não deixa nada a desejar com o que tenho visto. A nossa produção de design bate a americana não só na concepção das peças, como no seu refinamento estético. Ou seja, apesar de anúncios gradiosos, tenho visto muita propaganda de mal gosto por aqui.

Mas voltando ao assunto, não é só no âmbito da publicidade que vejo essa diversidade de canais de exposição. A algumas semanas atrás, fui a uma sessão audiovisual montada num terraço de uma escola pública. O evento, que atraiu mais de uma centena de expectadores, apresentou curtas de animação e documentários independentes. Materiais que normalmente sofrem grande dificuldade para encontrar espaço de exposição nas mídias tradicionais. Essas mostras são atividades triviais na cidade, existindo dezenas de sessões abertas acontecendo durante os meses de maio a setembro. Além de contar com uma estrutura de exibição de qualidade, captam patrocinadores que barateiam (ou até cobrem) todos os custos de organização. E não são só sessões avulsas, mas também festivais e circuitos itinerantes de cinema e animação que estão rodando e expondo as mais variadas produções de novos artistas americanos e estrangeiros. Pude, por exemplo, conferir uma dezena de projetos de documentário dentro de um festival de música que estive semana passada. Ou seja, até fora da sua ‘zona de conforto’ o cinema encontra espaço para se promover.


Para saber mais sobre essas sessões em terraços, visite: http://www.rooftopfilms.com

São essas iniciativas que me despertam uma sincera curiosidade para entender o porque desses movimentos não prosperarem em circuitos nacionais. Apesar de temos festivais como o Anima Mundi e o Festival do Minuto, essas manifestações ainda são muito aquém da quantidade e qualidade do que é produzido no Brasil e muito distante da realidade que presencio aqui. Aguardo esperançoso a abertura de canais e mídias alternativas que promovam a produção brasileira e a formação de novos profissionais, assim como tenho visto aqui na grande maçã. Ate lá, vou mandando notícias.

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